Energias solar e eólica geram empregos e aumentam procura por cursos

Até setembro deste ano, o SENAI formou 2,3 mil alunos em sistemas fotovoltaicos e 1,1 mil em energia eólica. Brasil está entre os maiores mercados, com milhares de postos de trabalho



Aumento no preço da conta de luz, compromisso internacional de ampliar o uso de fontes de energia renováveis, difusão de novas tecnologias e investimentos bilionários. Juntos, esses fatores têm impulsionado a energia de fontes solar e eólica no Brasil e, consequentemente, gerado oportunidades de negócio e de emprego.


De acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar (ABSOLAR), o setor já gerou mais de 347 mil postos de trabalho desde 2012. No ano passado, mesmo com a pandemia, 86 mil novos empregos ligados à produção e distribuição de energia elétrica a partir do calor e da luz do sol foram criados. Neste ano, o país ultrapassou a marca histórica de 12 GW de potência operacional, incluindo usinas de grande porte e sistemas de pequeno e médio portes instalados em telhados, fachadas e terrenos; e a tendência é de expansão.


De olho na demanda por especialistas, mais pessoas têm procurado cursos da área no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). A qualificação de eletricista de sistemas fotovoltaicos, por exemplo, é rápida, de cerca de 160 horas – pouco mais de um mês.


Mais de 2,7 mil matrículas em cursos de sistemas fotovoltaicos


Antes da pandemia, o número de matrículas vinha numa crescente, chegando a 3.327 concluintes em 2019. No ano passado, houve uma queda, mas ainda assim 1.645 alunos passaram pela capacitação. E 2021 já registra alta procura: até outubro, foram 2.709 inscritos.


Um estado que registrou um boom de matrículas foi o Distrito Federal – vale destacar que Brasília ocupa o segundo lugar no ranking municipal de potência instalada. O número de alunos passou de 64 em 2019 para 244 em 2020 e até outubro deste ano já eram 500 eletricistas formados na área.


Esses profissionais têm competência para dimensionar cargas e utilizar equipamentos específicos, instalar os sistemas fotovoltaicos, além de montar e reparar instalações e equipamentos auxiliares em residências, estabelecimentos industriais, comerciais e de serviços.


Os cursos de sistemas fotovoltaicos estão dentro de um portfólio ainda maior de energias renováveis. De janeiro a outubro, esses cursos, que vão da iniciação profissional e aprendizagem ao técnico, aperfeiçoamento e pós-graduação, registraram 17 mil matrículas.


Nordeste lidera na geração de energia eólica


Outra fonte de energia que tem colocado o Brasil entre os mercados com maior crescimento é a eólica. Segundo o Conselho Global de Energia Eólica (GWEC), em 2020, o país tinha aproximadamente 260 mil trabalhadores no setor e serão 3,3 milhões de novos empregos globalmente nos próximos cinco anos, sendo a maioria na China, EUA, Índia, Alemanha, Reino Unido, Brasil, França, Suécia, Espanha, África do Sul e Taiwan.


O Nordeste concentra quase 90% da capacidade eólica instalada no país, com o Rio Grande do Norte, a Bahia e o Ceará na liderança. Os dados são de junho de 2020 da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Reflexo dessa concentração está no número de matrículas dos cursos de energia eólica: das 1.323 registradas pelo SENAI até outubro deste ano, 1.164 (ou seja, 88%) são no estado do Rio Grande do Norte.


Fontes renováveis


Segundo o relatório síntese do Balanço Energético Nacional (BEN 2021), publicado pela EPE, 84,8% da oferta interna de energia elétrica do país em 2020 foi de fontes renováveis. Hidráulica (65,2%) aparece em primeiro lugar, junto a biomassa (9,1%), eólica (8,8%) e solar (1,7%).


Desde 2015, a participação de renováveis na geração de energia no Brasil tem crescido. O maior destaque nos últimos anos vem dos ventos. De acordo com a EPE, cerca de 1.065 GWh adicionais de energia em 2020 em relação a 2019 se devem à evolução da geração eólica, com sucessivos incrementos ao longo dos anos.


Outra boa notícia para quem deseja trabalhar na área de energias renováveis são os salários. Estudo da Agência Alemã de Cooperação Técnica GIZ (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit) mostra que mais de 21% dos profissionais recebem acima de três salários-mínimos, e 19,4 % recebem acima de cinco salários-mínimos.


*Fonte: Agência de Notícias da Indústria